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BeleZA não, BeleZAS! Outubro Rosa

BeleZA não, BeleZAS! Outubro Rosa

Oi gente!

Essa é a nossa Edição #2 da série de posts que mostram que não existe beleZA e sim beleZAS e hoje é um post muito especial porque ele homenageia todas as mulheres maravilhosas que já lutaram ou estão lutando contra o câncer de mama.

Confesso que só conversando com elas percebi o quão importante é o autoexame, sim... eu sei... falamos disso todos os anos, há muito mídia, campanhas e afins mas tudo sempre é muito rosa e florido, falta um choquezinho de realidade né?

E a realidade é que, muitas mulheres estão nessa luta, muitas mulheres se transformaram durante essa luta, muitas mulheres que do começo ao fim se mantém fortes, e muitas delas só descobrem sua beleza real nesse turbilhão de emoções, sentimentos e dor que é o câncer de mama.

Dito isso passo a voz para as maravilhosas:

Bárbara Menezes, 29 anos,  estudante de medicina, fofa, (muito) fofa, a simpatia em forma de gente, descobriu o câncer esse ano e segue maravilhosamente nessa luta! , 

Créditos: Jon Pereira (instagram: @dontyoushiver)

Créditos: Jon Pereira (instagram: @dontyoushiver)

Livia Gutierrez, 30 anos, é esposa, mãe canina, filha, irmã, executiva e doutoranda. Precisa de mais? Descobriu o câncer em setembro de 2015 e hoje escreve o Blog De Peito Aberto que ajuda, alerta e orienta as mulheres jovens a se prevenir, cuidar e lutar contra o câncer.

livia outubro rosa

Fran Monteiro, 24 anos, natural do Acre, super vaidosa, linda e forte. Descobriu o câncer ano passado.

fran outubro rosa

Milene Azevedo, 33 anos, cariosa, positiva e espiritualizada. Acredita em Deus, e que ele sabe o que faz. Descobriu o câncer em 2014.

milene outubro rosa

Maria Salete Pinto, 52 anos, dela não vou dizer nada... vou deixar ela se apresentar... ou uma guerreira. Que descobri um câncer de mama aos 51 anos de idade. #pensanumlacre <3

maria outubro rosa

Todas essas divas lutaram ou ainda estão lutando contra o câncer de mama e bateram um papinho comigo para contar sobre suas percepções de beleza.

E - Você fazia o autoexame? 

Livia  - Não fazia. Achava que nunca aconteceria comigo, até porque tinha 30 anos e nunca os médicos me pediram quaisquer exames de mamas, mesmo eu fazendo todos os exames de rotina regularmente. Minha bênção foi meu marido que, inexplicavelmente, começou a insistir para que eu fizesse o autoexame e, mesmo eu não fazendo, ele começou a tocar minhas mamas. Ele foi o responsável por encontrar o tumor, escondidinho e com 6 cm! 

Bárbara - Sempre fiz. Fui orientada pelo meu ginecologista. Então uma vez por mês eu fazia.

Maria - Sim, eu fazia! Mas foi algo assim, de repente que me assustou muito.

#setoca

E- Pra você, qual a importância do autoexame?

Fran - Mesmo eu não tendo feito, acho que o autoexame é essencial.

Livia - Enorme! O câncer é silencioso e pode agir rapidamente. Somente se tocando, se conhecendo é que podemos nos proteger e lutar por nossa vida. No meu caso, por pouco, não descobrimos tarde demais, pois se tratava de um tumor com tipologia bem rara e agressiva (triplo negativo). 

Bárbara - Se eu disser que percebi meu nódulo em estágio inicial pelo autoexame já responde a pergunta? Rs. A mulher que tem o hábito de fazer o autoexame conhece bem sua mama e percebe mais facilmente qualquer alteração. Isso é fundamental para o diagnóstico inicial e para que se tenham os melhores prognósticos. 

#setoca2

E - Quando você descobriu o câncer qual foi a primeira coisa que passou na sua cabeça?

Fran - Que eu iria perder minha mama!

Bárbara - Quando eu descobri o diagnóstico, me desesperei com a sensação de existir a possibilidade real de estar perto de morrer. Com isso, me veio o sentimento de não ter feito muitas coisas que ainda quero fazer e, principalmente e o meu maior desespero, por ter passado toda minha vida fazendo coisas para agradar as outras pessoas e de não ter mais tempo de fazer o que eu realmente queria ou desejava de fato.

outubro rosa

#setoca3

E - Como você enxergava sua beleza antes?

Fran - Me enxergava linda e muito determinada.

Livia - Eu gostava de quem eu era, tinha uma beleza física, tirando aqueles defeitinhos que a gente sempre quer se desfazer, né? Mas, de modo geral, considerava-me bonita e tinha uma preocupação muito grande em fazer o bem aos outros. 

Milene  - Não via beleza em mim. Nunca me achei bonita.

Bárbara - Minha autoestima era péssima. Me sentia até bonitinha,mas sempre achava que o olhar do outro estaria julgando cada detalhes da minha aparência e isso me travava muito. Achava que o cabelo tinha que estar perfeito, a roupa, tudo. Era muito impedida a faze coisas com relação a minha aparência pelo que os outros iriam achar. E isso me fazia sofrer.

#vamosquebrarpadroes

E - Como você se enxerga hoje?

Fran - Não mudou nada continuo linda.

Livia - Uma guerreira. Venci o câncer. Isso dá um alivio e torna todo o resto muito pequenino. Gosto ainda mais de mim hoje, só sinto um pouco de saudade dos meus cabelos compridos. E, hoje, gosto ainda mais de ajudar, ser ajudada, trocar, isso faz um bem danado.

Milene - Uma princesa. .Mesmo sem meus cabelos me sinto perfeita aos olhos do Pai.

Bárbara - Hoje eu me enxergo de maneira completamente diferente. É como se, num passe de mágica, o olhar do outro não me trouxesse um peso. Quando me vi diante da possibilidade real de a morte estar próxima, no início do diagnóstico, percebi quantas coisas e quanta liberdade eu poderia perder por medo. Medo de me olharem e me julgarem. Hoje quando tenho vontade de me vestir de certa forma, de usar um batom mais forte, eu uso sem pensar nos julgamentos. Foi uma liberdade enorme. Tirando o fato que eu assumi minha careca. Eu não uso lenços. Não que seja uma ideologia ou que eu ache que as outras pacientes que passam pelo mesmo problema devam fazer isso. Foi apenas a maneira que me senti melhor. Lógico que as pessoas olham muito para mim na rua. No início, assim que raspei, me incomodava com esses olhares. Mas hoje eu nem observo mais. E eu amo minha careca, estou adorando meu estilo completamente diferente de tudo e todos e estou feliz assim.

outubro rosa

#beijinhonombro

E - O que na sua beleza você não percebia e que hoje percebe?

Fran - Que somos lindas independente de ter ou não peito, cabelo e sobrancelhas.

Livia - Não minha beleza? Nada. O que mudou que é que sei que posso ir além, posso me surpreender a cada dia. E, quando achava que tinha chegado ao meu limite, descobri que estava muito longe dele. Tenho mais forças, amor e vontade de viver. 

Milene - Antes eu só via minha beleza exterior e hoje me preocupo com minha beleza interior

Bárbara - Em resumo bem resumido, eu percebi que sou bonita do jeito que sou. Com meus defeitos e qualidades, com minha careca ou com cabelo, com minha papada embaixo do queixo, com minhas olheiras de quimioterapia. Enfim, percebi que sou linda e que ninguém vai tirar essa convicção de mim.

#lacradoras

E - O que você acha ser fundamental para manter a autoestima durante o processo? 

Fran - Pense que tudo isso que está acontecendo com você hoje, é para te fortalecer amanhã.  

Livia - Amar-se, querer viver e buscar alternativas quando as situações fogem do planejado/esperado.

Milene - Amigos e familiares estarem sempre ao seu lado.

Bárbara - Se sentir bem como você é. Seja com cabelo, sem cabelo, com lenço, com peruca, com alguns quilos a mais ou a menos, com maquiagem ou sem maquiagem. Se sinta bem como você é porque somos vencedoras por termos aceitado essa batalha e isso nos faz lindas sim! E lindas da forma que escolhermos!

#justbeyourself

E - Como ficou sua vaidade?

Bárbara - Eu sempre tive um cabelo que os padrões de beleza consideram bonito: loiro natural, ondulado e comprido. Me escondi e me protegi das críticas alheias por muito tempo atrás desse cabelo. Ficar careca mudou meus paradigmas com relação a isso. Simplesmente você pode ser linda, charmosa, deslumbrante sem cabelo!!!!! Nunca haviam me parado na rua para dizer que eu era linda. Depois que fiquei careca, eu já me acostumei a ser parada na rua para as pessoas dizerem que sou incrivelmente bonito. Acredito que beleza não é só externa. Você transmite aquilo que traz em seu coração. Então eu acho que a mudança brusca na forma de me enxergar fez com que os outros também me vissem de outra forma.

Livia - Sou bem mais vaidosa hoje. Tive que aprender a ter estilo na marra, compensar a carequinha de alguma forma, usar lenços, perucas, turbantes, chapéus. Hoje, me arrumo mais, adoro acessórios, adoro maquiagem. Emagreci muito com a reeducação alimentar após o tratamento. Acho que tenho mais saúde e energia boa hoje, bem mais.

#umavezmusasempremusa

E - Que conselho você dá para uma mulher que esta passando por isso?

Bárbara - Que enxergue essa fase como uma oportunidade. Oportunidade de crescer, de evoluir, de rever sua forma de viver, sua vida como um todo, seus desejos, seus valores. E que, ao fim de tudo isso (porque temos que ter certeza absoluta que vai passar), você será uma pessoa mais feliz e muito mais forte. 

Fran - Diria que isso não é o fim.

#ficaadica

Depois de conversar com todas elas e ver o quanto elas são fortes e positivas só me resta agradecer imensamente <3 

A lição que eu tiro de tudo isso é que, um olhar gentil e carinhoso sobre quem somos faz muita diferença, não só numa fase difícil mas diariamente.

Vamos nos olhar com amor, com carinho e com gentileza!

 

 

 

 

 

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Patinho Feio

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