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Bolhas digitais

Bolhas digitais

“O mundo está ao contrário e ninguém reparou”, já dizia Nando Reis e Cássia Eller muitos anos atrás.  Naquela época, realmente vivíamos tempos esquisitos, tempos sombrios.

Ainda, naquela época tudo o que conhecíamos era o conservadorismo, quem viveu naqueles anos conhecia apenas o preconceito, as piadinhas sem graça que desvalorizavam as minorias e que sequer conhecia o “politicamente correto”. Pois bem, eu sei que aqui é um lugar de positividade, de falar de amor e coisas alegres, mas acredito que é importante também a reflexão. Aposto que 99% das pessoas que leem o The Sun Gallery são pessoas incríveis e que ficaram perplexas também com os últimos resultados eleitorais, tanto no Brasil quanto nos EUA e outras que rolaram esse ano.

Eu tinha escrito um texto especulando sobre os resultados das eleições, esperançosa, com um discurso ainda otimista, porque é importante manter a esperança principalmente quando as coisas não vão tão bem. Por uma questão logística, não conseguimos publicar o texto aqui na terça, então readaptei ele com a minha opinião e mantendo a reflexão que continua válida. Como podemos sair das nossas bolhas digitais e mudar o mundo para evitar maiores desastres nas nossas eleições de 2018?

Terça-feira aconteceu a eleição norte-americana e isso importa muito para todos nós! Por quê? Porque, como um país que dita muito do que acontece no resto do mundo, a vitória de uma pessoa como Trump para a presidência é um risco muito grande para nós enquanto país, economia e pertencentes à classe latino-americana, isso sem citar sexo, gênero e orientação sexual. Me perdoem, mas senta que lá vem textão, é que quero muito aproveitar esse espaço e o resultado das eleições americanas para falar sobre isso. 

Nem sequer o “menos pior” conseguiu vencer

Confesso que fiquei lendo diversos textos na tentativa de entender o motivo pelo qual a popularidade do Trump é tão alta e porque ele venceu essas eleições, mas ainda assim não consegui encontrar uma razão lógica. Sim, li o texto do Michael Moore sobre “Por que o Donald Trump vai ganhar a eleição”. Li diversas análises, sei que, como o voto é facultativo, o fato de ele ter fãs mais “fanáticos” pode ter ajudado, mas mesmo assim minha cabeça liberal está tentando juntar todas as peças e criar um cenário aceitável para isso.

Do outro lado, tínhamos emos Hillary Clinton, que poderia ter sido a primeira mulher a se tornar presidente dos Estados Unidos, marcando mais uma vitória histórica para a democracia. Além disso, a candidata democrata levaria também o legado de Obama à frente, continuando seus programas como os de saúde, educação e geração de empregos. Sei que ela também tem seus inúmeros defeitos e que cometeu muitos erros em sua carreira política, tem muito sangue de guerra em mãos. Acho que o Partido Democrata deveria ter feito outra escolha, alguém com mais popularidade, para disputar com o candidato republicano, polêmico e com muito holofote. Mas, considerando o cenário que tínhamos, ela não era somente a opção “menos pior”, ela é também a mais preparada para lidar com eventuais crises políticas e entraves relacionados a relações exteriores.

Imagina, agora, o Trump lidando com crises diplomáticas? Ele só vai gerar mais, vai fechar as portas dos EUA, e quem vai sofrer é o próprio capitalismo que elegeu ele e o enriqueceu. O turismo vai sofrer, a política vai sofrer, a Bolsa de Valores, as minorias então podem esquecer todos os direitos conquistados nos últimos anos. Quem sabe assim, agora, não aprendemos a votar melhor, a nos educar melhor politicamente?

Aceito convites para um café ou uma cerveja para tentar entender essa bagunça toda.

A mim me parecia muito simples a escolha entre um candidato preconceituoso, xenofóbico, machista, com políticas fortemente protecionistas e com um discurso agressivo ou uma mulher mundialmente reconhecida por seu histórico político e sua habilidade de trabalhar políticas internacionais, com experiência e um discurso um pouco mais aberto a todos. Aparentemente, a escolha não foi tão simples para os americanos...

Enquanto isso, por aqui...

Aqui no Brasil também tivemos uma vitória esmagadora de candidatos conservadores em contrapartida a candidatos mais liberais, como em São Paulo com a vitória de Dória e no Rio com a vitória do Marcelo Crivella. Enquanto que Dória não é exatamente um candidato com histórico preconceituoso, ele representa uma parcela conservadora da população que não acredita em programas sociais e que valoriza mais os direitos individuais que os públicos. Já o prefeito carioca eleito já proferiu inúmeros discursos em que mostra contra os direitos LGBT e das mulheres, além de ser um dos líderes da Igreja Universal, conhecida por seu discurso extremamente conservador e intolerante a outas religiões.

A Bolha que criamos

Por que será que esses discursos têm vencido eleições e ganhado tanta força? Eu poderia escrever um TCC inteiro sobre isso, mas quero somente abrir a discussão e colocar algumas reflexões aqui. Acredito que, além do poder da internet de amplificar discursos, tanto para o bem quanto para o mal, outra questão importante é a BOLHA.  Sabe aquela em que o Facebook nos coloca em que só aparece gente linda na sua timeline, que pensa igualzinho a você e que tem uma mente totalmente aberta? Pois é, os algoritmos do Facebook fazem isso com a gente, eles entendem do que gostamos e colocam destaque para postagens que falem sobre esse assunto e, aos poucos, vamos vivendo em um mundo de fantasia em que todos pensam como nós.

Depois, ficamos chocados com o resultado das eleições. Esquecemos que tem um mundo gigante ainda para se descontruir e se reinventar lá fora. Esquecemos que a vida é muito mais que nosso círculo de amizades, do ativismo, das pessoas bem instruídas e com mente aberta.

Que tal?

Hoje quero convidar você a expandir seus horizontes, sua rede de contatos e buscar entender como funciona o mundo fora da nossa bolha e ver onde podemos ajudar, o que podemos transformar e como podemos fazer do mundo um lugar melhor.

PS: Esse texto reflete só minha opinião, ok? Se não concordar, podemos falar sobre isso, nem que seja para concordar em discordar :)

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