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As mudanças anunciadas_01

As mudanças anunciadas_01

Olás!

 

Me chamo Maria Letícia (“oi Maria Letícia” respondem vozes na minha cabeça como em grupos de apoio) e desde sempre quis trabalhar com moda. Gosto de moda pelo reflexo que é da sociedade, seu comportamento e desejos. Hoje, mais do que nunca aparentemente, a moda está se modificando muito. A minha vontade aqui, nesse espacitu maravilindo, é falar sobre essas mudanças, que refletem principalmente em como nos relacionamos com essa indústra e o consumo. Questionar e também apresentar boas alternativas quando a gente não sabe onde achar mais.

 

Agora já é setembro e logo mais daremos início à PRIMAVERA, que pode ser entendida como uma celebração de um novo ciclo, um lembrete que sempre tem um renascimento, um recomeço, um reflorescer (Oummmm <3). Moda, pra mim é isso. Ela é autofágica (falei bonito, vai...): se mata e renasce o tempo todo, seja nas coleções lançadas a cada temporada, na renovação das marcas quase centenárias ou no seu comportamento e consumo. Bandida. Quando a gente pega o jeito ela muda e lá vai a gente tentar entender de novo.

 

Li Edelkoort - visite o site!

Li Edelkoort - visite o site!

Mas antes queria falar sobre aos prenúncios dessas mudanças. Tem gente que saca as ironias da moda e prevê as transformações rapidinho e quem é esperto vai lá ouvir. Uma delas é a pesquisadora de tendência Li Edelkoort, que lááá no início de 2015 (tipo uma eternidade) fez um manifesto, o Anti Fashion que questiona diversos aspectos da moda. Em seu ponto de vista a moda perdeu seu contato com o que está rolando no mundo.

 

Um dos responsáveis é o funcionamento do fast fashion, com sua fórmula de trazer as tendências de passarelas o mais rápido possível para as lojas por um preço baixo, explorando os países mais pobres e levando os consumidores a pensarem que a moda é descartável. O marketing das empresas deixou de ser uma ciência que alia as tendências com o resultado de vendas para serem escravos do financeiro, sem autonomia para apontar mudanças e pedindo para os estilistas focarem em acessórios (que é o que vende nas marcas de luxo) ao invés das roupas.

A publicidade está tão inserida nas revistas de moda, que transbordaram dos anúncios para os editoriais, não dando espaço para marcas novas entrarem, e o conhecimento do jornalismo de moda foi substituído por uma geração nova que cria sites sobre seu gosto pessoal, sem crítica ou ponto de vista. Mesmo a educação é equivocada, pois desenvolve profissionais para serem estilistas de passarela e terem seus nomes valorizados de forma individual, um formato que vigora desde 1900 e bolinha, enquanto o mundo de hoje pede profissionais que sejam mais para trabalho em equipe, para projetos que sejam colaborativos.

CAN I GET AN AMEM, SISTER? 

Li faz eco ao Manifesto ACTIVE RESISTANCE da grande dama, Viviane Westwood. Em 2008 (mais eternidade ainda) ela deu inicio ao movimento que, olhando o impacto ambiental causado pelo capitalismo, pede que tenhamos mais consciência em relação ao que compramos, “mais cultura e menos consumo”. Além do problema no meio ambiente e do trabalho escravo relacionado ao fast –fashion, esse formato, promovido também pela avalanche publicitária, acaba por uniformizar as pessoas, sem valorizar sua identidade.

SEJA VOCÊ MESMO! 


Penso que a transformação está na sustentabilidade, que não se resume ao algodão orgânico. É um fio condutor que engloba diversos aspectos: ambiental, social, econômico e cultural, e acredito que irá causar as mudanças que estamos vendo a moda promover mais uma vez. Nosso consumo de uma maneira geral tem de ser revisto. A natureza pede e agradece! 

Setembro pede água de rosas

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A vida no Paraíso - ahimsa

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