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BeleZA não, BeleZAS! Com Débora Fomin

BeleZA não, BeleZAS! Com Débora Fomin

Oi meus amores!

Hoje meu post vai ser um pouco diferente :) e a receita é simples:

Livre-se do seu (pré)conceito. 

Esse será o #1 de uma série mensal de textos e entrevistas com divxs e musxs que quebram padrões diariamente e representam uma série de belezas MARAVILHOSAS que de tão lindas a gente PRECISA falar sobre elas.

A idéia é dar voz e mostrar que não existe beleZA, existem beleZAS.

Pra estrear lacrando batemos um papo com Débora Fomin do Overlicious, um blog com dicas de moda, beleza, estilo de vida, inspirações e um espaço de desabafos e trocas voltado para mulheres acima do peso.

Débora, segundo ela mesma se descreve é "Designer Gráfico formada em Design de Moda, tem 26 anos e ama desenhar, escrever e pesquisar novas tendências. Não tem medo de ousar em novos looks mas não consegue largar o pretinho básico."

E sim meus amores, Débora é lacradora!

Ela respondeu algumas perguntinhas e mostrou que precisamos urgente de:

Representatividade, respeito e questionamento, MUITO questionamento!


E - Quando você se viu linda pela primeira vez?
D - Eu nunca tive esse “dia” que acordei e me vi linda. Isso foi e ainda é um grande processo de aceitação que tem que ser encarado um dia de cada vez, respeitando o meu corpo. O que aconteceu foi que tomei a decisão de parar de falar de mim o que eu não diria às pessoas que eu amo, ser mais doce e suave comigo mesma.


E - Como foi sua infância e adolescência? Quais lembranças você tem dessa fase? 
D - Eu sempre fui uma criança gordinha, mas fui muito feliz e sou muito grata à minha criação. Minha mãe faleceu quando eu tinha 11 anos e acho que isso fez com que eu precisasse amadurecer mais rápido, mas acho que nada acontece por acaso e tudo o que eu sou hoje devo aos eventos que aconteceram nessa época.


E - O que você acha importante ser discutido na sociedade, em relação aos padrões estéticos?
D - Sim, acho que precisamos falar sobre isso! É uma discussão extensa que requer muita análise, mas vale muito questionar de onde vem esses padrões e quem disse que eles precisam ser seguidos. A sociedade é composta por pessoas, e são as pessoas que criam esse padrão, inclusive eu e você. Não dá pra falar da “sociedade” como se fosse um vilão que oprime, porque nós fazemos parte da construção dessa opressão.


E - Como foi seu processo de desconstrução dos padrões?
D - O processo de desconstrução é isso: um processo. Ele nunca vai ser 100% completo porque existem TANTAS coisas que nós nem sabemos ainda que nos oprimem. Não acho que exista uma receita de bolo, é uma coisa muito individual, mas acho que o primeiro passo é questionar. Questionar tudo, questionar sempre. De onde vem os padrões? Porque são importantes? O que é o belo? Por que não me vejo bela? Quem me disse que isso não é belo? E por aí vai...

debora fomin


E - O que te ajudou na conquista da autoconfiança e empoderamento?
D - Me respeitar e não me cobrar tanto. Os eventos da minha vida fizeram com que eu colocasse tudo em perspectiva e tirar tanto essa importância do “pertencer” e ser socialmente aceita. Eu já sofri bastante porque outras pessoas me apontavam como gorda, eu mesma não percebia isso e não dava essa importância.


E - O que é gordofobia pra vc?
D - Gordofobia...Em uma definição básica é o sentimento de repulsa, nojo e raiva do que é relacionado à ser gordo, é a necessidade de afastamento de um individuo pelo fato de ser gordo. Mas acho que vale uma pesquisa mais intensa sobre o assunto, porque não é só isso. Assim como os outros preconceitos criminosos, a gordofobia priva pessoas de direitos básicos como o de transporte e se vestir, a gordofobia mata todos os dias com as suas dietas malucas e procedimentos cirúrgicos perigosos sendo vendidos como estética. A gordofobia isola, pretere, deprime, oprime.


E - Como surgiu a ideia do Overlicious?
D - Em uma mesa de bar em 2010, eu e mais 3 amigas conversávamos como não nos sentíamos representadas pelos blogs de moda e como gostaríamos de ter um veículo que falasse sobre a gente, sobre como é ser gorda em um mundo de magros. Decidimos arregaçar as mangas e fazer acontecer. Hoje, o conteúdo fica todo por minha conta e é um espaço seguro em que fala-se não só de moda, mas de estilo de vida, empoderamento, desabafos, etc.


E - Criar a Overliciuos te ajudou no processo de empoderamento?
D - Só depois de um tempo, eu não o via dessa forma. Eu sempre gostei de escrever e como eu estava cursando moda na época, achei que seria bacana. Foi só depois que comecei a ter contato com o feminismo e o ativismo gordo que comecei a quebrar as barreiras dentro de mim.

debora fomin


E - Uma dica para todos que não se sentem bem com a própria beleza
D - Coloque as coisas em perspectiva, questione os padrões e se respeite. Conheça o seu corpo! Reconheça as coisas MARAVILHOSAS que ele pode fazer e seja mais cuidadoso com ele, cuide dele, ame ele. Se cuidar não é sinônimo de emagrecer ou magreza, entenda essa diferença e se cobre menos. Não fale do seu corpo o que você não falaria do corpo daqueles que você ama. Um passo de cada vez.


E - Se empoderar é.....
D - Se conhecer e se respeitar, acima de tudo.

Depois dessas palavras não preciso dizer mais nada né?  

Muito obrigada, querida Débora por ter encontrado um tempinho para falar comigo <3

Até segunda!


 

sua vida tá uma correria?

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STOP BODY SHAMING!

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