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Reflexo do hoje

Reflexo do hoje

No meu primeiro texto, contei sobre duas grandes personas da moda, Li Edelkoort e Viviane Westwood que mostraram como a moda esta precisando se transformar, principalmente por causa da sua estrutura, que estava chegando a um colapso (para ela mesma e para o mundo). 

 

Uma das grandes mudanças que estamos vendo é o movimento (se é que podemos chamar assim) See now/ Buy Now, que propõe repensar a distância entre o lançamento do desfile e a chegada das roupas nas lojas, cerca de 6 meses. Esse tempo se tornou um problema no mundo acelerado pela internet e acostumado com o tempo do fast fashion, que copiam as tendências das passarelas e já dispõe as peças para os consumidores, dando aquela atravessada nas marcas de luxo. Também o consumidor de agora é mais fluído, não se encaixa nos padrões e não quer mais limitações.

Você pode se perguntar (porque eu me perguntei) se a cliente da Dolce & Gabana ou Burberry é a mesma que vai à Zara ou H&M. Acontece que hoje em dia, com as internet da vida, diversos sites dispõem as fotos logo no dia seguinte, os desfiles são exibidos por streaming e o mundo todo consegue ver ao mesmo tempo o que antes estava reservado aos 300 convidados da semana de moda. Esses também mudaram: agora não são somente as editoras de moda e grandes compradores, mas blogueiros and celebridades que, automaticamente, espalham os looks que mais gostaram ou o que estão vestindo dos desfiles para seus milhões de seguidores, gerando os likes que tanto afagam seus egos (sim, para mim tem uns 5 blogueiros que mandam bem e fazem um trabalho ótimo ao falar de moda, o resto é CONSUMIDOR SORTUDO). Tudo é tão instantâneo que o que é visto nas lojas, meses depois, parece notícia velha, perde seu valor.

 

Pausa dramática: quem sambou nessa estória foi o Jeremy Scott para a Moschino, com o desfile de Outono Inverno 2014 Mc Donalds + Chanel <3 Ironia linda e com conteúdo!

 

Matemática difícil, sei a resposta não...

Hoje o desfile é um show de 15 minutos, com 1 hora de espera e que passa fácil de um orçamento de mais de 100 mil dólares. No início era para mostrar às clientes as roupas que poderiam encomendar logo depois, mas agora é parte do marketing que precisa criar desejo e sonhos, gerar valor para a marca, para no fim vai vender mais perfumes e acessórios.

Mas a equação não é fácil. Desenvolver uma coleção é um trabalho longo de pesquisa, escolha de materiais, criação e divulgação em desfiles e campanhas, para, após o pedido dos compradores, fazer a produção das peças. São etapas que acontecem intercaladas e das primeiras reuniões de estilo à sacola do cliente se passou 1 ano para mais (e multiplica essa loucura por 6, que é a quantidade de coleções que se tem para as grifes. É um esquema pesado mesmo!)

Para se adequar então ao See Now Buy Now as marcas estão usando diversas formas: algumas já cancelaram alguns desfiles este ano, para ajustar a produção, e coloca–los mais perto dos lançamentos nas lojas, outras vão parar de usar as estações para definir as coleções e muitas vão juntar suas linhas e lançar uma coleção capsula ou selecionar alguns looks para pré-venda. 

E já que estamos nesse bate-papo que só eu falo (por enquanto), começam as indagações: 

Para atender a demanda de consumo antes, buyers (profissionais que compram para as lojas e multimarcas, não a gente) e editores de revistas estão vendo as coleções antes. Fazer duas apresentações é mesmo criar um novo modelo? E se não for assim é a marca que vai fazer a aposta?  É sustentável fazer apostas que depois parte excedente vai entrar em liquidação?

Será que essa apoteose dos desfiles vale a pena nesse mundo digital, principalmente para as marcas pequenas que tem o investimento nas passarelas um peso alto em seu orçamento? Em uma entrevista de 2014, Oliver Theykens, estilista dos bons, já sentia a moda saturada de muitas marcas e repreendia a ideia das assessorias que encorajam seus clientes pequenos a fazerem desfiles que não dão retorno ao alto investimento. Penso que para eles seja mais interessante se associarem aos grandes sites de compras de luxo (Farfetch, Net-a-porter e Moda Operandi, por exemplo) e ter o suporte deles no lançamento de suas coleções.

Quando se fala de sustentabilidade é necessário explorar o conceito em todos os aspectos, e por isso esse é um tema importante. Não como consumidora, tipo: “quando vou colocar minhas mãozinhas na nova coleção da Balenciaga” (err se bem que nesse caso seriam mesmo seis meses depois, a Federação Francesa de Moda já avisou que eles não pretendem acelerar a produção de luxo, pois não é assim que a coisa funciona para as casas de lá), mas sim porque a moda fala de e é resultado de comportamento de todos nós e no mundo totalmente voltado para o consumismo de hoje, isso aponta para muitas coisas que ainda vão modificar em nossas vidas.  Adequar o desfile à sua função que tem agora no mundo digital é só uma delas.

O que vocês acham? Fashionistas, ModaLovers, Compradores, Consumidores que estão lendo... qual a grande mudança que está por vir? <3

imagem tirada do site: http://catalystreview.net/

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