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Como colecionar pores do Sol

Como colecionar pores do Sol

Algumas pessoas falam do Sol de maneira lúdica, outras de maneira literal, Juliana Chambarelli, fala das duas formas e ainda de maneira espiritual. Colecionadora de Sóis, viaja pelo globo registrando os mais belos pores de Sol. E independente de onde esteja, o astro incide em sua vida e brilha para ela. 

Filha de pai surfista, seu contato com a natureza foi sempre muito forte. Porém,hoje morando em São Paulo Capital, sente falta de um horizonte para apreciar o pôr do Sol. Por isso, rodar o mundo à procura desses momentos é praticamente um ritual: "Quando eu estou em algum lugar que me possibilita isso,  eu aproveito o momento ao máximo que posso. Me traz uma paz, uma energia tão grande que é difícil explicar, mas que começou a ser quase que uma marca registrada."

O Sol rege o destino de suas viagens, e ela de tão apaixonada, as vezes até faz umas maluquices para chegar à determinados lugares, em horários específicos para assistir o espetáculo solar do fim do dia. Como por exemplo, em uma trip à Turquia, que fez com o noivo. Lá ela quis muito ver o pôr do Sol em Golden Horn (ou, em Português, Corno de Ouro - um estuário que divide o lado europeu da cidade de Istambul), mas percebeu que não daria tempo de chegar num ritmo normal. E como não poderia perder por nada este encontro com o Sol, fez literalmente uma maratona com mochila nas costas, câmera na mão e muita determinação para enfim chegar à paisagem escolhida. Assim pôde contemplar 15 minutos de pôr do Sol, com aquele céu super alaranjado: "Quando chegamos lá foi um presente! Uma das cenas mais bonitas que eu já vi." Como ela diz, para algumas pessoas isso simplesmente poderia passar batido, mas para ela tem um significado muito maior: "Essa contemplação pra mim é super séria, super cheia de vida e é o que me faz sentir em contato com Deus. Eu acredito muito nisso, é espiritual. Um momento de contemplação, de parar, apreciar, orar, agradecer pelo privilégio de apreciar aquele momento."

Olhar para o mundo em que vivemos e ver Deus nele é umas das coisas que mais nos eleva. Pois é muito difícil deixar de lado toda materialidade das coisas e de fato sentir que somos muito mais que isso. E essa conexão com Deus, a Ju tem de maneira intensa quando assiste um pôr do Sol . E assim está sempre tentando de alguma forma estar em contato com esses momentos.

Um dos lugares que ela não poderia ter deixado de ir é a casa Pueblo no Uruguai, morada de Carlos Paés Vilaró, artista e poeta, que a inspirou com seu poema sobre o Sol, onde ele diz que se sente um colecionador de Sóis, e que guarda todos eles no horizonte. É desta maneira que ela se sente, e essas são experiências que fazem o Sol dela brilhar.  Enquanto conversamos, a Ju fala com muito carinho sobre o Sol que admira pelo mundo, e mais ainda quando fala sobre a luz que encontra nas pessoas durante suas viagens:

Juliana Chambarelli para The Sun Gallery

"Fiquei um mês em São Francisco, e peguei um Uber no meu ultimo dia de viagem, com um senhor que mora lá há mais de 40 anos. Ele me disse que fugiu da guerra do Vietnã e foi morar nos Estados Unidos. A gente ficou mais ou menos uns 20 minutos conversando no carro, e ele me contou das histórias que ele viveu, do porque ele fugiu, porque foi para os EUA. E que ele era grato porque aquele país o transformou no que ele é hoje. Contou que tem uma vida confortável, mas que nunca deixou de trabalhar, porque precisa se sentir ativo. Ele chegou lá com a família, com 20 dólares no bolso e hoje está aí. Quando saí do Uber comecei a chorar. É uma pessoa que conversei por 20 minutos e que nunca vou esquecer."

Assim como em elementos da natureza, e todo o universo, Deus também está dentro de nós, e dessa maneira conseguimos estar sensíveis uns aos outros, e como a Ju diz, conseguimos trocar energias: "O que vale quando você se joga nessas experiências é tentar ao máximo conhecer pessoas, porque você descobre que cada um tem algo a agregar. Então nunca vou esquecer desse cara, então ele deixou o raiozinho dele ali na minha vida. Para mim foi muito emocionante ouvir essa história. São essas coisas simples, pequenas, e tão grandiosas ao mesmo tempo, tão iluminadas, que fazem o meu Sol brilhar. Acho que é essa troca com as pessoas. A possibilidade de se dar espaço e se abrir e para essas vivências. Isso é o que mais me motiva, me comove, e me impulsiona a buscar viajar. Buscar trocar, conhecer pessoas e conversar com quem que eu não conheço."

Foi tão inspirador o papo com a Ju, que me deu vontade de sair naquele instante para buscar Sóis pelo mundo a fora. Bem, isso requer pelo menos um mini planejamento, mas com certeza é um ótimo exemplo de como sentir a vida. A seguir, nossa sun lover fala um pouco mais sobre essa conexão que ela tem com o Sol  Veja aí:

Você consegue se sentir parte da existência nesses momentos?

Sim, é quando eu me sinto viva, e grata. Eu de fato me emociono vendo o pôr do Sol, de chorar mesmo. De ver o quanto aquilo ali é bonito, de como aquilo está ali a nossa disposição todos os dias. Para mim é uma energia diferente, mas tô levando para um contexto bem prático do Sol em si, como protagonista da nossa conversa, mas tem várias outras coisas que fazem o meu Sol brilhar de uma forma figurada.

O que mais faz o teu Sol brilhar?

Viajar faz o meu Sol brilhar e eu acho que uma coisa que me enriquece e que traz uma experiência grandiosa. Para mim é estar em contato com outras pessoas, outras culturas, descobrir, me arriscar, me faz sentir muito viva, é muito vibrante. Não viajo tanto quanto eu gostaria, mas o máximo que eu consigo. Eu tenho uma coleção de fotos de pôr do Sol em várias partes do mundo: Grécia, Turquia, Califórnia, Atacama, Rio de Janeiro, Uruguai, etc.

Como Vilaró, você também é uma colecionadora de Sóis? 

Sim! Não querendo tirar muito dele, mas eu acho que eu sou uma super colecionadora de pôr do Sol sim. E acho que viajar me permite ver esse Sol dos mais diversos ângulos e cenários possíveis. Me traz a experiência de estar em contato com pessoas novas, de todo tipo, de toda experiência, de toda vivência. Obviamente estar com os meus amigos, com a minha família e as pessoas que amo, são coisas que fazem o meu Sol super bilhar. Mas se eu pudesse colocar no topo de uma lista, o que eu coleciono e o que de fato faz o meu Sol brilhar, o que estaria no topo são as viagens que eu faço. Isso faz a gente conhecer pessoas novas, trocar experiência, sensações diferentes.

Por do sol Rio de Janeiro

Você consegue ver o Sol nas pessoas que conhece?

Sim, levando bem para esse lado, existem pessoas que marcam você de alguma forma, pessoas que brilham de um jeito que te faz sorrir, te faz entender que é super bacana esse contato. Essa sensibilidade é mais aflorada quando existem pessoas que brilham muito, e a gente consegue perceber quando isso é verdadeiro, quando isso é sincero, e quando existem pessoas que de alguma forma fazem diferença pra gente, seja por uma conversa, seja por uma experiência. 

Você acha que o Sol contagia?

Sem dúvida, o Sol das pessoas, o Sol que está lá em cima brilhando, tudo é pura energia. Algumas pessoas tem mais Sol, e isso vai do astral, da energia mesmo, da vibe que aquela pessoa tem, do quão positiva ela é, do quanto ela já viveu, dos valores que ela tem. Alguns mais, outros menos, mas no fim das contas todo mundo tem um raiozinho ali pra compartilhar, e eu acho que essa troca é maravilhosa.

Como o Sol te influencia no teu dia a dia?

No meu dia a dia eu sempre tento embasar as minhas decisões e pautar as minhas conversas de forma que eu consiga plantar uma sementinha, ou,  trazendo para o nosso contexto, um raio de Sol em alguém. Nem sempre eu consigo,  mas, eu acho que é muito mais de como a pessoa recebe, do que do meu esforço em tentar fazer isso. E também acontece de uma forma natural. Em todas as minhas relações eu tento de alguma forma entregar alguma coisa pra alguém, para que ela saia dessa conversa de uma forma diferente de como ela entrou. Obvio que não tenho pretensão nenhuma de mudar alguém, mas sempre que eu puder levar alguma mensagem positiva, dentro de algum contexto, de algum contato, eu vou fazer. E muitas vezes só ouvir, porque também faz bem você receber de volta. Como aconteceu no caso do Uber, onde eu fui muito mais impactada do que impactei. E eu acho que a troca é isso, tem sempre alguém que vai poder dar mais ou receber mais. É uma coisa involuntária, mas sempre que eu posso eu tento trazer esse Sol para o meu dia a dia, e tentar iluminar um pouquinho a vida das pessoas. A gente tem tanto a evoluir, e eu tenho muito. Mas se a gente fizer um esforço diário para tentar fazer a vida das pessoas um pouquinho melhor, a gente também está de certa forma evoluindo a nossa, eu acredito bastante nisso.

Teve algo mais que você absorveu com o pôr do Sol além de tudo isso?

Eu acho que é um momento de gratidão, obviamente você viver um pôr do Sol. É uma coisa muito bonita, e mais do que a beleza do cenário em si, eu acho que tem uma coisa de renovação, de ciclo. Todos os dias ele nasce, e todos os dias você tem uma chance nova de fazer alguma coisa acontecer. Cada novo nascer do Sol, cada novo pôr do Sol,  é uma nova oportunidade de vida, de sentir prazer em fazer o que faz, em agradecer, em simplesmente meditar ou orar. O Sol é completamente cíclico, eu acho que é como o ciclo que se encerra e te da oportunidade de fazer tudo de novo ou tudo diferente, dependendo de como você quer ser. Fazendo alusão a esse movimento do Sol eu, acredito que cada nascer do Sol é uma nova oportunidade de vida, e a gente tem que fazer dela o máximo e melhor que a gente conseguir. No fim das contas é isso, buscar fazer algo novo, diferente, ou simplesmente se dar uma segunda chance. 

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